sexta-feira, dezembro 11, 2015

Misturas



É do brasileiro a mistura.
E é da religião a confusão.
Vem daí a religiosidade brasileira ser tão confusa.

A feijoada, o queijo com goiabada, o afroreggae, o samba rock, a bossa, o mestiço, o cafuzo, o sushi de manga e o vestido longo com galocha provam a nossa capacidade (necessidade?) de misturar.
Quando se trata de culinária, etnia, música e moda, a mistura é (quase) sempre bem-vinda. O problema é quando essa tendência transborda para a dimensão religiosa.

O Brasil é o país em que um espiritualista pode se dizer cristão, um católico pode frequentar terreiro, um pastor pode ser idolatrado e um teólogo pode não acreditar em Deus. Sincretismo é a marca da religiosidade brasileira. Não raro, cultos pentecostais têm cara de sessão espírita, congressos teológicos parecem comício bolivariano e seminários de louvor ensinam mantras orientais.

Infelizmente, em nome de um suposto "diálogo inter-religioso", as tradições cristãs têm renunciado àquilo que as torna tanto únicas quanto relevantes: a exclusividade de sua mensagem.

Um diálogo presume a figura do interlocutor - aquele com quem se fala. Interlocutor é o "outro", o não-eu. Sem a diferença entre o emissor e o receptor da mensagem, não existe diálogo, mas monólogo.
Nada se aprende. Nada se acrescenta.

Se achamos que temos algo a dizer, não podemos apagar as diferenças entre nós e nossos ouvintes. Porque, ao contrário de impedir a comunicação, essas diferenças é que a tornam possível, necessária e desejável.
Ou somos diferentes, ou somos irrelevantes.

Deus os abençoe.