quarta-feira, setembro 29, 2010

Vá e não peques mais!

Quem sou eu senhor?
Quem é o homem diante da tua santidade?
Quem as pessoas pensão que são para se acharem melhores que as outras?

Após ler esse relato você ainda pensará que é bom o suficiente?

Ainda é cedo, são oito horas, começa mais uma manhã de sol na bela Jerusalém e eu me encontro como se em uma “Babel”, cheia de sons de ambulantes vendendo coisas, pessoas andando de um lado para o outro entre camelos e ovelhas.

De repente vejo Jesus sentado em uma escadaria e por perto vejo também muita gente curiosa ouvindo o que ele estava dizendo aos seus discípulos, posso aqui até identificar cada um deles:

Pedro com seu ar de “o cara”.
João, bem ao lado de Jesus, com seu semblante jovem quase adolescente.
Judas bem distraído com o transito das pessoas pra lá e pra cá.
Simão Zelote mesmo ouvindo Jesus falar, observa com meio olhar um grupo de soldados romanos que se aproxima.
Tomé e Mateus dividem algumas tâmaras entre si.

Percebo em Jesus as marcas profundas de seu tom de voz, de seu olhar que tudo vê, de suas mãos se movendo enquanto fala e de seu sorriso sem custo e acolhedor.

De repente um alvoroço se forma no meio da praça, todos se levantam assustados ao ouvirem muitos homens agitados gritando e arrastando uma mulher. Eles se aproximam de Jesus e atiram-na diante dele com a roupa meio rasgada com os cabelos espalhados e cheios de terra. Em seu rosto havia medo, lagrima, dor e humilhação. A multidão em silencio atenta para um homenzinho que se dirige a Jesus e argumenta com um tom de desafio e ironia:
Mestre essa mulher foi flagrada em adultério, a lei de Moisés diz que tal mulher deve ser apedrejada, e o senhor o que nos diz?

A multidão murmura entre si com muitos comentários a respeito, mas ao mesmo tempo todos percebem que a pergunta esconde uma armadilha, pois seja qual for a sua resposta terá como colocá-lo contra a parede, se Jesus concordar com a execução, seus discursos sobre misericórdia e perdão se tornarão questionáveis, e se for contra a execução, estará infringindo a lei de Moisés.

Mateus comenta com André: Mas onde está o homem? Não há como adulterar sozinha!
Pedro, sempre inconveniente, já se arma com uma espada escondida apenas consigo.
Eu, com o olhar fixo em Jesus, apenas aguardo sua reação.

Para surpresa de todos, Jesus sem dizer uma palavra se inclina e com o dedo no chão escreve algo, deixando a multidão curiosa. Eu estava mais próximo e li dois nomes, o de um homem e o de uma mulher. De imediato o homenzinho arrogante que falava com Jesus viu que um dos nomes era o seu e o outro era o nome de uma de suas amantes.
Que efeito devastador. Houve quem também visse e questionasse:
Mas como ele sabe? Quem contou?

Um minuto depois Jesus se levanta, encara a multidão, dá alguns passos à frente e fica entre a mulher e os que a estavam acusando, estes por sua vez recuaram um passo.

Com um olhar misto de piedade e fúria e com sua voz parecendo uma faca afiada a cortar o silencio Jesus falou:
Muito bem, se a lei diz que ela deve ser apedrejada, então façamos um acordo, todas as pedras devem ser atiradas a vontade, mas somente a primeira deverá ser atirada por quem nunca pecou.

Todos recuaram mais um passo, muitos tropeçaram e caíram enquanto a mulher encolhendo-se esperava a primeira pedra ser atirada. Porém nada aconteceu, até que aquele homenzinho que então desafiara Jesus largou suas pedras no chão e fugiu levando assim os demais a abandonarem suas pedras para trás, cheios de vergonha e covardia.

Com meu coração aos saltos entre a euforia e o constrangimento, fui envolvido pelo olhar de um mesmo Jesus que pusera aquela multidão sedenta de sangue para correr, olhar este que era tão temível quanto o tom de sua voz, agora se inclinando e tomando pelas mãos a pobre mulher ainda aterrorizada, ergueu-a suavemente, passou as mãos pelos seus cabelos limpando-os e ajeitando-os, secou suas lagrimas e limpou seu rosto; seu olhar e voz agora eram só ternura, então em um tom baixo e carinhoso perguntou:
Filha, onde estão os que te acusavam?
E a mulher sem entender direito o que havia acontecido disse:
Não há mais ninguém Senhor!
Jesus então cheio de compreensão e amor exclamou:
Eu também não te condeno. Vá e não peques mais!

Como quem buscava uma explicação pra tudo que ocorreu ali aquela mulher se afastou lentamente.
Jesus sentou-se na escadaria de novo e continuando seu assunto de antes disse:
Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não anda em trevas, mas tem a luz da vida.

Eu voltei pra casa com algo que ardia muito em meu coração. Seria a hipocrisia daqueles homens? Seriam o medo e o desespero daquela mulher? Seria enfim o meu próprio medo? Seriam a voz, o olhar de Jesus ou suas palavras?
Aquela cena toda de repente parecia se dar com apenas duas pessoas naquela praça, Jesus e eu. Todas as suas palavras não foram para outro lugar mas sim direto para o meu coração.


Jesus te abençoe!

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